cerveja e spleen

A constelação ascendente silenciando
desde o copo de cerveja a TV ao fundo ou
de como os teus cabelos dão vontade
de acariciar. É o inicio da tarde
no alentejo onde bebo, só bebo
no alentejo, único lugar do tédio.
A réstia lírica dos meus versos
o pequeno espaço onde a tinta se dilui
o pequeno espaço que retenho das
imensidões. Não percebo, não consigo
perceber porque vivem tão sós as pessoas
nestas paragens, tantas andanças
por cumprir, tantos caminhos vazios.
Os teus cabelos partem contigo
e eu fico para mais uma cerveja, o copo
vazio cumprido como missão única
e possível. Se há mistérios
ou não são dados a estes olhos
ou são só a falta de magia, o spleen o imenso spleen do Alentejo. Continuar a ler

presença azul

Neste orificio onde arde tinta – falo da boca
mora a presença azul de uma cor com sonhos
dentro. Essa cor é o mistério amaldiçoado
pelos ventos da miséria repetindo a folhagem
também azul dessa história histérica por onde
bebem as memórias. Lê-me. És essa parte de mim
colhendo outros lugares outros odores ocultados
pelo silêncio. Um silêncio igual a este
onde a tua boca é como esta um curto
receptáculo de beijos parindo aproximação.

Escuta-me as palavras e o seu azul gemido.
O céu é tantas vezes um animal revolto
que o seu sangue atravessa o encantado voo
dos homens e das mulheres das crianças e dos
poetas: com o sabor oculto das asas se mostra que
quando a fúria dos sonhos traz
ao colo do planeta a razão alucinada dos homens
a razão maldita das mulheres e a
razão sempre infinitada das crianças
o voo é pleno, o poema existe Continuar a ler