Com ternura

Com ternura
Subo pelo flanco
Em direcção ao leito do rio.
Recolho o orvalho efémero
E provo a delícia súbita das romãs
Com bravura
Escuto o teu breve pranto
E, subindo qual gaivota no vazio
Ou pelo teu torso magro e delicado
Trepo aos ramos mais altos das manhãs
Com candura
Recolho-me no teu doce e suave pranto
Por lá ficando dias a fio
Colhendo framboesas no bosque amado
Regressando à juventude
E ao saber das minhas cãs
Imagem e fotografia de José Magalhães
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Quase com cuidado

Quase com cuidado
Muito ao de leve
O silêncio foi quebrado.
Era quase nada!
Como se fora
Do cair da neve
O rumor que se adivinhava.
Ou talvez da leve brisa
De tão leve
Mal se sente
Ou o mexer dos meus olhos
Ou o germinar da semente

Imagem e foto de José Magalhães

No alto deste morro

No alto deste morro
Olhando o sol surgir
Escuto atentamente o silêncio

São tão calmos
Os breves momentos
Da natureza a sorrir

A brisa não se ouve
Nem o ralo
Nem o grilo
Nem o pensamento a fugir

Tão-somente o breve rumor
De milhares de pétalas a abrir

Imagem e fotografia de José Magalhães