2.º soneto de 2

Eu sou o monstro a estudar para fantasma
Eu sou a distância ao prazer, neve gelada
A solidão é a barca a bordo do D. Henriqueta

A maldição é a resposta às minhas dúvidas
A freira exorcista, sacerdotiza do bem inimiga
Ponho-os todos a cozr no meu velho calderião
A vida já somente falsa e o tempo infinito

Encho os pulmões de fôlego e rebento a lua
Sou horizonte lunar lua intrasponível
Cometa rasante espaço em múltipla colisão

Sou a noite centenária e o dia inexistente
Toda a força do deserto e dos oceanos
Que por alma tão penada sopra o vento

Jorge Caixote

1.º soneto de 2

Eu sou morte lenta aquele que rebenta
Armo-me aos cucos em mãos escuras
Sou virginal e sou o prazer natural
Sou animal vegetal um cru rabanete

Mulheres mil no passeio um desejo
Herói popular ladrão fascista militar
Patrão de indústria reactivo popular
Humanos não atacar apenas apreciar

Sou a génese da nova conduta
aquela que não existe a do vegetal
A um só olhar afirmado animal

O alamute de um novo vinho
E apenas sonhar o poema da carne
O dilema o conflito a depressão

Jorge Caixote