Vida de cão

my bitch

Dog, n. a kind of additional or subsidiary Deity designed to catch the overflow and surplus of the world’s worship.

This divine Being in some of his smaller and silkier incarnations, takes, in the affection of Woman, the place to which there is no male aspirant.

Ambrose Bierce, The Devil’s Dictionary.

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a pá

 

primeira raiva
dirigida
e executadda
 
com brio
 
bicos de pés
a tua cabeça lá no alto
 
memória indelévil
obrigada e parabéns
 

 

 imagem environnement.ecoles

Humor republicano, da (bis)avó

Afonso Costa, à noitinha

Alcagoita comeu tanta, regada com pimentinha

Que lhe deu a solipampa

E passou a noite toda na casinha da levanta.

Porquê agora? não sei.

Impedimento natural de estacionamento (‘sabot bio’)

foi com telemóvel, é minha

Há dias em que me sinto salada,

outros automóvel,

nem um nem outro funcionam para o propósito desejado.

Quem vem de nenhures e não alcança nada, não tem nada que agradecer – provérbio antuerpiano

Imagem Telegraph.co.uk

Isto não é simples. Tal como o outro disse aos pré-humanoides, crescei e multiplicai-vos, disse o João, escreve. Se fosse o outro, o assunto ficaria resolvido com um “o senhor desculpe, mas o senhor não existe. Tomando esta ilação como um postulado, a única conclusão válida é que o seu mandamento é também inexistente. Em síntese, não faço coisíssima nenhuma isso do crescimento e da multiplicação”.

O João existe. E eu, embora tenha sido mulher de pré-humanoide, não sou pré-humanoide, e não obedeço a mandamentos que não existem. Conclusão: escrevo, e seja o que deus quiser.

Só para fazer chorar o passante, devo verificar a sintaxe de um sexto das frases e a ortografia de um quinto das palavras. Não é por vingança do fulano do “crescei e multiplicai-vos”, que hipotéticamente me teria pespegado com uma dislexia atrapalhante, não! Foi a vozinha do “espalhai-vos pela terra e ide ocupar outras terras” e a outra vozinha do “sai de casa da tua mãe rapariga e mete tantos quilómetros quantos puderes entre ti e onde nasceste”.

Acordo numa língua, trabalho em duas, penso em outra, é uma sopa de restos onde todos os sabores estão confundidos e só o sal se degusta. Como “a minha terra é embalada docemente pela doce brisa que vem do mar”, vai pelo sal.

Belogues são coisa nova para mim no lugar do que escreve. Poderia ser isto uma oportunidade para praticar a língua, já que não pratico a pátria. A contrariedade é que não sou comentadora, a não ser do que observo com os meus óculos. A crítica aos governos parece-me um exercício de reflexão demasiado laborioso. Também não sou poeta. Ponto.

Posso também escrever noutra língua?

F.M.