lição das ondas

mão áspera a passar os dias a limpo
como sorvendo manhãs de chuva
mordendo amiúde a lição das ondas

desprecisar

é um exercício de linguagem. o que sobra

transposição das ravinas que seguram o voo das aves

Anúncios

tudo cabia

com um pescoço de soslaio fazia dos dias cal e das tábuas paredes. tudo cabia nelas. até o primeiro segundo. adormeceu depois aos som quente das figueiras.

tomava como certa a água cheia. uma atitude eficaz. engavetava as trovoadas com precisão. depois ao terceiro dia minimizava o impacto das janelas nas cores e esperava.

pulsos. abnegados

à porta da lama abrem-se os pulsos. abnegados
tornos que accionam a combustão. como se fogo e vento
fossem a mesma faúlha. como se

os justos sucumbissem ao mosto
das noites. safra esplêndida e mortal.
cerram-se os dentes. depois as pálpebras.
sofreguidão. depois
continuamos o ornamento do território.

acesa

desfolhava o manual para picadeiros. obstinada contrição. com vento de purgas colectivas abria as mãos para buscar. com manhas escolásticas o seu olhar redigia.

era muito feliz. quando não sorria morria mais uma vez. voltava-se tenramente para as ramagens e engolia em seco para poupar no sonho. ao quarto diapasão afinava.

depois quando se tratava de um mero exercício de alçapões era sincera a degustação. a meio da tarde cuidava das flores. a meio da frase das dores.

águas foge-se para o canto



à porta das águas foge-se para o canto. das paredes
a gotejar ferros e gargantas. como se dor e perna
fossem o mesmo corpo. como a

necessidade justificando a barbárie
dos dias. deguste morno mas
eficaz. pontos finais em jeito de sutura.
absurda mente desmesurada. e
regressamos, enfim.